MOUNTAIN BIKE BH NA ESTRADA REAL :: BLOG

Está chegando

12/07/06

O dia D está chegando. Hoje estamos a apenas 3 dias da partida desta aventura.

Toda a equipe está uma pilha de ansiedade e expectativa. Queremos agradecer a todos que estão nos apoiando, e torcendo para que tudo corra bem. Esperamos voltar com muitas fotos e histórias (boas) para contar :-)

Já é amanhã!

14/07/06

Ok, chegamos à véspera.

Somos 27 pilhas de ansiedade. Amanhã, às 6h da manhã, sairemos em um ônibus de BH a Ouro Preto. Teremos uma solenidade na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, com autoridades locais e provavelmente alguns veículos de comunicação. A partida oficial prevista é às 9h30 da manhã.

Durante esses dias de aventura, deixaremos aqui os nossos relatos e algumas fotos selecionadas - obviamente dependentes de condições de acesso à internet nas localidades por onde passaremos. Se você nunca usou um blog, uma das maiores satisfações do “blogueiro” é ler os comentários de quem nos acompanha. Sinta-se à vontade para fazer comentários e enviar mensagens de apoio. Para fazer isso, clique no link que existe abaixo de cada artigo do blog.

Provavelmente o próximo artigo será enviado amanhã, em Santana dos Montes, junto com algumas fotos. Aguardem!

Estrada Real nos aguarde!

Estrada Real nos aguarde!

Encontro e Despedida

15/07/06

Mandem Notícias do Mundo de lá, pra quem fica…

É parafraseando a canção que muitas e muitas pessoas do MountainBikeBH podem falar sobre como estão ansiosas pelos primeiros relatos da CicloViagem.

Sábado, 15 de Julho, primeiras horas da manhã na histórica cidade de Ouro Preto, ponto inicial da CicloViagem Mountain Bike BH na Estrada Real. São 8:30 e os cicloviajantes já estão na Praça Tiradentes, aprontando-se para a jornada histórica (sim, é o maior grupo registrado na ER até hoje, 26 ciclistas) que se inicia.

Muita alegria, ansiedade, alguns nem dormiram direito pensando na aventura que participarão. Mochilas, camisetas e manguitos, bicicletas e cicloviajantes a postos. Alongamento e aquecimento para os primeiros 70 quilômetros que os separam do seu destino, Paraty.
O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, recepcionou-nos e oficialmente saudou a nossa jornada, que percorrerá parte do maior projeto de desenvolvimento turístico em andamento no país.

São 9:30. Lá vamos nós ladeira abaixo passando em frente ao Casarão recém reformado da Praça Tiradentes. E sob os olhos deste, buscamos em cima da bicicleta desfrutar da liberdade que ela nos confere: o contato com a natureza, a superação de limites, a calma e a velocidade alinhadas com corpo e alma de viajante.

Sob o olhar de Tiradentes

Sob o olhar de Tiradentes

Acompanharam pedalando com o Grupo: Vinícius, Rafael Andrade, Leonardo Roberto e Vitório. Antônio “Joli” e a Wanda (mãe do Vinícius) seguiram o grupo de carro. A “estação da despedida” foi o fim da 1ª subida do dia, entre o bairro de Saramenha e o Trevo para Lavras Novas.

Cicloviajantes prontos para a jornada

Cicloviajantes prontos para a jornada

Partimos. E do mundo de lá, mandaremos notícias, relatos, fotos, causos e aventuras, que além de aqui registrados, da cabeça jamais se apagarão.

Post enviado por Vinícius, RP da cicloviagem, em Belo Horizonte.

Cow Parade

15/07/06

O primeiro dia de pedalada foi, como todo mundo esperava, bem tranqüilo. Apesar dos 78 quilômetros (em vez dos 73 previstos, mas previsão é previsão), todos chegaram inteiros em Santana dos Montes, nosso primeiro pouso. O cronograma da manhã funcionou bem: começamos a arrumar as bikes no ônibus às cinco, às seis estávamos a caminho de Ouro Preto, e após uma pequena solenidade, onde o prefeito falou algumas palavrinhas bacanas sobre a iniciativa da viagem e a nossa intenção de incentivar cada vez mais gente a pedalar, caímos na estrada. Eram nove e meia.

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150 km já ficaram para trás

16/07/06

O segundo dia de viagem começou bem agitado. A idéia da gincana de pontualidade - os subgrupos perdem um ponto por minuto de atraso; ao final da viagem, quem perder menos pontos ganha vários brindes - deu muito certo. No horário marcado, oito horas, as “equipes” já estavam preparadas, com exceção de uma, que chegou dois minutos atrasada. Estar pronto às oito é algo muito mais complicado que parece: após acordar, é preciso estar com a bicicleta no ponto, abastecer o Camelbak, arrumar a bagagem que vai no carro, tomar café da manhã, alongar… Tudo isso num frio de rachar. Afinal, se não ficarmos espertos com os horários, não damos conta do que nos propusemos.

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Bruxas à solta

17/07/06

Começamos a segunda como de hábito, com mais um café da manhã que impressionou o dono da pousada: são 26 ciclistas comendo ao mesmo tempo, preocupados em armazenar energia para o dia todo e em não comprometer a pontualidade da saída. O grupo inteiro na verdade, tem 28 pessoas, porque a Paula e a Karina estão dirigindo os carros de bagagem, e encontram a turma do pedal em todas as cidades. Em vários lugares, essa quantidade é maior que a máxima da pousada, e quartos duplos são transformados em triplos ou quádruplos. Por falar em Paula e Karina, elas estão quebrando o maior galho: além de transportarem nossas tralhas, cuidam de tarefas que nos ajudam muito, como chegar mais cedo na próxima pousada e estender as roupas molhadas no varal. Fazer essa viagem sem esse suporte seria bem mais complicado.

Saímos da simpática pousada Vivenda da Letícia, em Prados, às oito. O Reinaldo fez um “briefing” sobre o percurso do dia, avisando que iríamos pegar uma trilha no pé da Serra de São José, que não faz parte do caminho oficial, movimentado e poeirento.


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O corpo chia

18/07/06

Saímos de Capela do Saco em direção a Carrancas cedinho, no que deveria ser nosso dia de “descanso”. O previsto era termos 33 quilômetros até a cidade, e mais 8 até o hotel-fazenda em que ficaríamos hospedados. Porém, seria a última oportunidade de passear por uma região conhecida - vários no grupo já pedalaram por ali - e, em conseqüência, de fazer uma trilhinha. Nos demais dias, a viagem será por lugares em que o Reinaldo nunca pedalou, e aí não dá para arriscar a sair dos estradões de terra principais. Resultado: topamos, por aclamação já no jantar da véspera, acrescentar mais dez ou quinze quilômetros e passar pela crista da Serra de Carrancas, não entrando na cidade, terminando a trilha já próximo do hotel.

Tomamos café, e após o “briefing” do Reinaldo sobre o percurso, pegamos a estrada. O céu sem nuvens mostrava que o dia seria excelente para fotos, mas bastante quente. Pela manhã, antes de chegar na estrada principal de Carrancas, o ritmo foi bem lento, porque as pessoas paravam o tempo todo para as fotos. Os ângulos que permitiam ver a represa recebendo os primeiros raios de sol eram aos poucos substituídos pela visão do paredão da Serra de Carrancas, com todos já sabendo que havia um trecho de asfalto bem inclinado para transpô-la. Já dava para ver a rampa desde longe, parecia algo muito sofrido, mas o pessoal mostrou estar realmente preparado, “escalando” o paredão em poucos minutos, e chegando à crista. Ali começava a nossa trilha. Apenas três pessoas resolveram desistir e seguiram diretamente para o hotel, passando dentro de Carrancas. Preferiram descansar mais cedo para agüentar bem os próximos cinco dias. Os outros 23 seguiram pela crista da serra, em uma estradinha de terra que depois se transformava em trilha.

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98,51

19/07/06
Hoje, pela manhã, tivemos uma visita ilustre antes de sair do simpático Hotel Fazenda do Engenho, na zona rural de Carrancas. A EPTV, afiliada regional da Globo, fez uma matéria conosco, entrevistando alguns e colhendo umas imagens para falar da nossa viagem. Filmaram nossa preparação matinal para a saída, a preleção do Reinaldo sobre o caminho, e o começo da nossa pedalada. Fizeram uma simulação da atualização do blog que nos matou de rir. Puseram o Daniel Viol em um banco, ao lado de um bucólico laguinho, com um laptop no colo, fingindo que estava mandando um post para o site. Detalhe: com capacete. Quem dera se as produções dos posts pudessem ser feitas assim, em vez da mão-de-obra que a gente tem toda noite depois do jantar, às vezes dependendo do horário de fechamento de uma lan house, como é o caso aqui de Airuoca. Mas a viagem está com um astral tão bom, que mesmo isso é muito prazeroso.

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Subindo a Mantiqueira

20/07/06

Os quase 100 quilômetros da quarta, registrando pelo quinto dia consecutivo uma distância maior que o previsto, fizeram o pessoal desmontar cedo em Aiuruoca. Já eram 300 quilômetros em quatro dias, ainda faltando mais de 280 até Paraty - isso se se confirmarem as distâncias dos três dias restantes, coisa em que ninguém mais acredita. A previsão para a quinta era de 52 km. Uma das menores da viagem, mas com muita subida. O primeiro trecho seria de Aiuruoca até Alagoa, e o segundo de Alagoa até uma pousada na estrada para Itamonte. Saímos da Pousada Pico do Papagaio às oito e meia, e pegamos um pequeno trecho de asfalto até Aiuruoca, já que estávamos hospedados fora da cidade.

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Descendo a mantiqueira

21/07/06

Sair da cama da Campos de Altitude foi o maior sacrifício da viagem até agora. O frio estava congelante às seis da manhã, e como a pousada fica no meio de um emaranhado de montanhas, o sol só apareceu para nós lá pelas sete e meia, bem depois de nascer. Após um café da manhã que fez jus ao restante da hospedagem e uma preleção do Reinaldo sobre o caminho, subimos a estradinha que levava à entrada da pousada, na estrada que liga Alagoa, de onde viemos na véspera, a Itamonte, próxima parada.

A distância prevista para o dia era de 95 quilômetros, mas com bastante descida. A primeira delas era justamente para Itamonte: 22 km de despencada Mantiqueira abaixo, por uma estradinha linda, com paisagens montanhosas aparecendo e sumindo o tempo todo. O piso às vezes até tinha um pouquinho de lama nas partes mais ensombreadas, mesmo sem ter chovido, tamanha é a umidade do lugar durante a noite.

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Dia vertical

22/07/06

Vários amigos ligaram, durante a viagem, comentando que estavam acompanhando nossa presepada pelo blog, dizendo que estavam gostando muito, mas reclamando que a gente não responde os comentários que eles colocam nos posts. O problema é que estamos tendo pouquíssima oportunidade de usar a internet. Além de termos ficado quase sempre em pousadas fora de cidades, onde o acesso é precário ou inexistente, todo mundo chega quebrado demais para conseguir fazer alguma coisa além de limpar a relação da bike (corrente + coroas + catracas), tomar banho, jantar e desmaiar. Alguns ficam um pouco mais por causa desse blog, mas assim que terminam o trabalho, fazem a atualização ou deixam os arquivos no ponto para o envio do dia seguinte (acumular é fria). O fato é que a maioria dos ciclistas não chegou a ver nem esses textos aqui, quanto mais os comentários. Mas os poucos que lêem procuram passar o recado para os demais. De qualquer forma, podem ter certeza de que é ótimo receber os comentários, e que vai ser mais bacana ainda ler ou reler tudo isso em BH, depois que voltarmos. Certamente nenhum de nós fez na vida alguma viagem que teve um registro tão especial quanto esse, feito a inúmeras mãos.

Cachoeira Paulista não foi uma cidade que encantou o grupo. Pela primeira vez ficamos em uma pousada em região central de uma cidade média, e éramos 28 pessoas em um quarto coletivo, com apenas um banheiro. Por ser um grupo que se entrosou muito bem, e que tinha uma boa parte já amiga há tempos (na verdade, pouco mais de ano, mas que parece bem mais, por causa do convívio intenso, nas trilhas e no Fórum), não tivemos problema nenhum com isso, mas é uma situação que ficaria certamente insuportável se durasse mais que uma noite. A dona da Pousada dos Chalés (que seria mais apropriado se chamar Pousada do Albergue) teve o desplante de querer nos cobrar R$5 per capita a mais pela roupa de cama (!), o que obviamente não aceitamos, ainda mais que não foi algo combinado previamente. Além do mais, a cidade tem uma atmosfera que mistura fervor religioso com comércio, o que nos incomodou um pouco. Claro que passamos ali muito poucas horas para ter uma impressão mais embasada da cidade, mas foi uma sensação compartilhada por muita gente.

Por outro lado, como tivemos que jantar fora nessa noite - era a única em que a refeição não estava contratada na pousada -, tivemos nosso único momento de butecada do passeio, em uma pizzaria. E, claro, foi muito divertido.

Cachoeira Paulista foi escolhida como pouso porque era estratégica para nós. Ela fica no Vale do Paraíba, o rio que é limitado a noroeste pela Serra da Mantiqueira - de onde descemos na sexta - e a sudeste pela Serra do Mar - para onde subiríamos no sábado. Não por acaso, foi onde vimos mais bicicletas urbanas: além de ser a maior cidade que visitamos, fica em um vale, tendo bastante área plana. E ficou evidente que o uso de bikes como transporte era grande quando fomos a uma lan house, no sábado de manhã, para postar os relatos de dois dias acumulados, e deixamos nossas em um bicicletário, estacionadas na porta.

A saída de Cachoeira Paulista foi por uma estrada de terra quase plana, mas com um piso nada convidativo para pedalar. Era uma espécie de terra calcárea, branca, e qualquer carro que passava levantava uma poeira fina muito desagradável. A paisagem também não tinha muita graça. Mas ela fez render o começo da jornada, que nesse dia “seria” de 62 quilômetros. O que, em contraste com os dias anteriores, seria uma distância tranqüila, se não fosse pelo fato de que era a subida da Serra do Bocaina - a parte da Serra do Mar na região de Cunha. Sabíamos que tínhamos muito morro pela frente, então não podíamos bobear com o tempo. E ainda saímos um pouco tarde, por causa da atualização do blog. A partir da lindíssima usina desativada que dá nome à estrada, a paisagem começou a mudar, para ficar realmente com cara de Serra da Bocaina.

O contraste com o trecho anterior era grande não só no piso, agora felizmente uma estrada de terra com cor de estrada de terra, mas também na altimetria: começamos uma escalada que duraria o dia inteiro. Paramos num bar do caminho, o Bar do Caxote, pertencente a um sujeito peça rara que atendia por esse apelido. Quando um bando de ciclistas chega em um desses butecos de área rural, é uma dupla felicidade. Felicidade dos ciclistas, que dariam suas bicicletas por uma coca-cola gelada depois de quilômetros a fio à base de barra de cereal, sachê de gel e água; e felicidade do dono do estabelecimento, que vende em uma hora boa parte do seu estoque de refrigerantes, queijo, lingüiça e qualquer outra coisa que apeteça aos pedalantes famintos. Dessa vez, teve gente que abriu até latas de milho e ervilha. (Mentira, ninguém daria sua querida bicicleta. Talvez o Camelbak…)

Dali em diante, as subidas pioraram. E com o agravante de ser o quarto dia seguido sem uma única nuvem no céu. O Gustavo chegou a brincar que o céu azulzinho que a gente estava vendo era tudo serra camuflada, porque, a toda hora que chegávamos ao alto de uma montanha que parecia ter acabado, uma nova subida surgia do nada. Nesse trecho, as descidas - sempre há descidas, claro; pena que elas são rapidinhas - foram as mais refrescantes da viagem. E todos os ciclistas, veteranos incluídos, disseram que esse foi o dia em que mais subiram morro na vida - o que valoriza ainda mais o desempenho dos novatos.

Foi o dia da viagem em que mais vimos motociclistas. Motos são muito usadas na roça por serem um meio de transporte mais barato que os automóveis e mais econômicos em consumo de combustível. Porém, poucos motociclistas que vimos usavam capacete. Chega a ser estranho ver gente pedalando com capacete ao lado de alguém sem proteção em uma moto.

Bicicletas, agora, víamos muito pouco, o que é compreensível em uma região tão acidentada. Normalmente, no interior, as bicicletas mais populares não têm marchas, e por isso só são apropriadas para uso em terreno plano, em descidas e em subidas bem suaves. Nos morros, as pessoas sempre empurram. Até nos perguntávamos se uma corrente dessas não se estragava facilmente, já que a maioria não dá manutenção, mas quando se pensa que a relação quase não é forçada - em qualquer morrinho o sujeito desce e empurra -, dá para entender o quanto ela acaba sendo poupada.

Com os tanques - os estômagos, no caso da bicicleta - cheios desde o Bar do Caxote, continuamos nosso percurso até um povoado chamado Macacos, distrito do município de Silveiras. Mais subida, mais coníferas, e a cada metro galgado, ficava evidente que deixávamos a Mantiqueira mais e mais para trás, agora já uma silhueta no horizonte, atrás de nós ou à nossa direita.

Em Macacos, povoado bastante simpático, comemos vários pães com mortadela, fazendo a alegria de mais um comerciante. A partir dali, as subidas se suavizaram um pouco. Nossa próxima parada seria a Cachoeira do Paraitinga. No caminho, tivemos uma surpresa emocionante: encontramos dois cicloturistas de Itaúna (MG), Valdez e Varlei, que estavam fazendo o caminho inverso ao nosso, e que disseram ter usado bastante o site da nossa viagem como referência. Adotaram o mesmo caminho por idêntico motivo ao nosso: fugir de asfalto e trânsito pesado. Eles comentaram ainda que só acompanharam o blog até quinta-feira, porque viajaram no dia seguinte. E foram quase reverenciosos conosco, elogiando o trabalho, dizendo que o site tinha ficado muito bom, profissional, etc. Como somos marinheiros de primeiríssima viagem nesse tipo de empreitada - web-cicloviagem -, ficamos muito orgulhosos. Mas satisfação mesmo foi ver o site sendo útil para alguém sem sequer termos concluído nosso roteiro. Um dos objetivos do projeto é justamente incentivar quem já pedala ou quer pedalar, e é essa possibilidade que nos anima a encarar a trabalheira toda que isso de atualizar blog dá. Ah, e em tempo: santa internet. Como nós, eles pretendem fazer a viagem em nove dias. Mas ao contrário da gente, eles estáo carregando alforges, não usam apoio. Dormirão em pousadas também. Na foto abaixo, são o de camisa vermelha na ponta esquerda e o de capacete vermelho no meio.

A água da Cachoeira do Paraitinga, próxima parada, parecia ser de geleira derretida, mas muita gente não se fez de rogada e deu um mergulho para espantar o calor. Se não fossem os quilômetros que ainda nos esperavam morro acima, vários teriam ficado lagartixando nas pedras, tomando o solzinho morno de inverno. Morno quando estamos parados: na subida, pedalando, ele parece nos fritar. Ainda assim, sabemos que é inifinitamente mais vantajoso fazer esse tipo de viagem no inverno. No verão o calor, a umidade, a chuva e a lama fazem uma cicloviagem ser mais cansativa e castigam muito mais o equipamento. O risco de insolação e desidratação é maior, e as fotos não ficam tão bonitas.

Quando estávamos na cachoeira, a informação que tínhamos é de que faltavam mais sete quilômetros para Campos Novos de Cunha, e aí mais cinco até a Pousada dos Girassóis. Alguns partiram logo depois de um lanche e um mergulho, outros ficaram enrolando - o tempo era tranqüilo para doze quilômetros, mesmo com subidas. Foi um vacilo: quando o pessoal foi chegando a Campos Novos de Cunha, muito separadamente em pequenos grupos ou até em ciclistas solitários, descobriu que a informação estava errada e que os doze quilômetros viraram mais de trinta - ainda que com o alento de ser um caminho de asfalto. A pousada não ficava cinco quilômteros depois de Campos Novos, mas sim cinco antes de Cunha, a próxima cidade.

Para quem saiu por último ou estava mais devagar, isso significaria pedalar à noite. Alguns estavam sofrendo com as reações do corpo a um esforço prolongado por já oito dias, e rendiam muito menos que em condições normais. Joelhos, pernas e a parte da bunda que se apóia no selim da bike já estavam em petição de miséria. Foi talvez o trecho mais sofrido da viagem inteira. Subir a Serra do Mar foi mais penoso que escalar, dois dias antes, a Mantiqueira, que agora víamos lá longe.

A maioria chegou à pousada à noite, depois de 80 quilômetros de pedal. Alguns foram resgatados pelos carros, mas outros, mesmo se arrastando, queriam orgulhosamente chegar em “casa” pedalando. Curioso é que todo mundo já está tão calejado com as sucessivas roubadas do percurso, que nem reclama. Aliás, teriam que reclamar com o bispo: um fator chave para que a viagem tenha sido tão tranqüila foi ela não ter um responsável. Algumas pessoas deram uma organizada nas coisas, o Reinaldo se dispôs a guiar o grupo por já conhecer alguns caminhos e ter se infomado por alto sobre outros, mas a possibilidade de perrengues sempre foi deixada bem clara, desde o começo. Não ter uma agência de turismo prestando o serviço faz com que cada um se sinta um pouco responsável, e isso deixa os problemas bem mais leves. Provavelmente com outra “configuração” não teria gente pedalando à noite por causa de furo na previsão, e ainda achando graça.

Com todo mundo na pousada, limpamos as bicicletas pela última vez - o domingo seria o dia da chegada - e fomos para a sede da pousada, cujos apartamentos eram simpáticos chalés com lareiras (teve gente que quase pôs fogo no quarto por imperícia). O dono, que pelo visto gosta de cozinhar, serviu um ótimo caldo, e depois anunciou o prato principal, que era típico de tropeiros: o barreado, um ensopado de diversos tipos de carnes para ser comido com farinha, antigamente cozido horas a fio em uma espécie de buraco na terra forrado com barro - daí o nome. Muitos gostaram, outros acharam apimentado e voltaram ao caldo, alguns se abstiveram por ainda estarem com os estômagos em recuperação das incontinências do meio da viagem. E é lógico que o item principal do cardápio foi, digamos, um prato cheio para as piadinhas diarréicas.

Boletim CTT: hoje nosso fiel amigo andou muitos quilômetros, e pegou carona em outros. Já ficou mais habituado a andar de carro, e pelo visto seu abatimento ao fim da segunda noite era devido mesmo aos 160 quilômetros percorridos em dois dias, acompanhando bicicletas - muito rápidas para ele. Desde a pousada Campos de Altitude ele parece outro cachorro, sem tremedeiras, e fica pulando alegre de um lado para o outro. O Mangini teve até a curiosidade de medir a velocidade média do CTT. Segundo ele, nas descidas é em torno de 11,4 km/h, e nas subidas 10 km/h. E a variação é bem pequena, a marcha é muito regular, não dependendo muito da inclinação. O início da amizade entre ele e o grupo não foi contado aí para trás: quando chegaram em Capela do Saco, após sair da balsa, alguns ciclistas resolveram tomar uma cerveja antes mesmo de chegar à pousada. Sentaram-se num buteco, e ele apareceu, com uma cara meio pidona de comida. Ficou por ali, e quando o pessoal foi para a pousada, ele foi junto. E está aí com o grupo, já quase chegando a Paraty. Garoto de valor.

O domingo será o coroamento dessa divertida, animada, agradável, enriquecedora e cansativa viagem. Todos agora têm certeza que, de um jeito ou de outro, com mais ou menos dificuldade, vão chegar lá. Todo mundo já está mais relaxado, as dúvidas agora são pequenas. O fato de a pousada ser já pertinho de Cunha encurtou a distância prevista para o último dia, e por isso propôs-se que o horário espartano de saída fosse transferido para as nove da manhã, dando mais uma hora de sono a todo mundo. A proposta foi aceita por veemente e unânime aclamação.

Epílogo

23/07/06

A Pousada dos Girassóis, perto de Cunha, foi um ótimo final para o nosso cardápio de hospedagens. Os três últimos pousos, aliás, foram muito curiosos: num dia dormimos em chalés numa pousada muito charmosa, em meio a uma mata de araucárias no alto da Mantiqueira; no dia seguinte em um albergue para romeiros, no Vale do Paraíba; e no último em mais uma agradável pousada, agora no alto da Serra da Bocaina. Foi definitivamente uma viagem com altos e baixos.

Saímos uma hora mais tarde, conforme combinado. No campeonato de pontualidade, a equipe “Cabeça de Boi”, do Tatuí, do Fernando, da Claudinha e do Alessandro, faturou o primeiro lugar, perdendo apenas um ponto durante toda a viagem. Foi, a propósito, um campeonato que gerou alguma controvérsia, alegações de injustiça, etc., mas cumpriu o efeito pretendido: os atrasos foram mínimos, o que é tarefa quase impossível em uma viagem com mais de três pessoas. Uma idéia para ser repetida.

Pedal na estrada. Com cinco quilômetros de asfalto, estávamos em Cunha, última cidade por onde passaríamos. Ali, a indefinição: continuar no asfalto rumo a Paraty, ou pegar uma estradinha de terra que passava por algumas cachoeiras, cuja quilometragem não era um consenso entre os locais a quem pedimos informação. Como o pessoal já estava ficando viciado em roubadas, optou-se pela estradinha. Muita descida, muita subida, e muito mais agradável que qualquer asfalto, embora, como descobrimos depois, fosse o trajeto mais longo. Não importava: um “toldo” de araucárias é sempre capaz de fazer uma árdua subida parecer terreno plano.

No caminho, mais uma cachoeira, que só alguns resolveram aproveitar. Felizardos: o curto acesso ao poço foi o trecho mais íngreme de toda a viagem. A ida, uma descida de queimar os freios, e a volta, uma parede de queimar as pernas, mostrando que a viagem realmente incrementou o preparo. Sem falar, claro, no bem que faz um banho gelado no meio de um dia ensolarado de pedal.

Duas dúzias de quilômetros depois, saímos da estradinha de terra para o asfalto, agora no caminho oficial de novo. Com pouco, paramos em uma lanchonete para ajuntar o grupo e acabar com outro estoque de coxinhas, pastéis e sanduíches. Mas à frente, nosso segundo cruzamento de divisa da viagem, dessa vez saindo de São Paulo e entrando na pontinha mais meridional do Rio de Janeiro.

A partir daí, não paramos mais de descer. Quando cruza o Parque Nacional da Bocaina, o asfalto dá lugar a uma estradinha de terra com muito cascalho solto, e a atenção precisa ser redobrada. O downhill é convidativo, ganha-se velocidade facilmente, mas ninguém quer tomar um tombo a poucos quilômetros da chegada. Fim do parque, asfalto novamente, mais uma parada para ajuntar o grupo em uma lojinha de cerâmica no meio da descida, Paraty já à vista.

Já próximo da entrada da cidade, onde está um importante marco da Estrada Real - o segundo a ser estabelecido, de acordo com o que se lê ali -, outra parada. O Lucas aproveitou para dar uma amostrinha dos malabarismos que podem ser feitos com uma bicicleta e subiu as escadas de uma igreja dando pulinhos de degrau em degrau, usando técnicas de uma modalidade ciclística chamada bike trial. A recepção, porém, foi pouco amistosa: alguém que via a cena nos xingou, dizendo que aquilo era desrespeito. Vá entender.

Paramos no portal da cidade e entramos na cidade em fila indiana, evidentemente chamando a atenção e arrancando perguntas. Alguns meninos achavam, como sempe ao longo da viagem, que era uma corrida. O Reinaldo, com um guidom na mão e uma câmara na cabeça, fez várias filmagens.

Não houve uma solenidade oficial, como na largada, em Ouro Preto. Antes da viagem tentamos entrar em contato com o poder público em Paraty, mas a secretária municipal de turismo (Leila Assunção) não deu retorno para nossos e-mails e telefonemas - um funcionário apenas providenciou um local para tomarmos banho, ao custo de 7 reais por cabeça, sem toalha, o que evidentemente dispensamos. Chegamos juntos no porto de Paraty e fizemos uma espécie de foto oficial da chegada.

Daí, dispersamo-nos. Alguns queriam tomar um banho de mar e procuraram uma praia, outros preferiram tomar cerveja, e ainda alguns queriam coroar a viagem com um régio jantar. Tivemos uma agradável surpresa: o Augusto, que mora em São Sebastião (SP) mas pedala conosco de vez em quando em BH com sua bicicleta reclinada, apareceu em Paraty para prestigiar nossa chegada, acompanhado da Paula, sua esposa. Abaixo, o pessoal que não resistiu a pôr os pés na areia.

Depois disso, tomamos banho em uma pousada (agora com uma negociação bem melhor) e entramos no ônibus que nos esperava para voltar a BH. O Reinaldo, a Karina, o Fernando e o Alessandro voltaram no carro do primeiro, que foi usado como apoio. O Tatuí, dono do outro carro, resolveu ficar com a Paula e o Librelon mais uns dois dias em Paraty. O Gustavo foi de ônibus comercial diretamente para o Rio, onde tinha trabalho na segunda.

Alguns acharam, com razão, nossa chegada meio mixuruca, pouco apoteótica. Em parte, isso se deveu à falta de receptividade que tivemos do Executivo Municipal de Paraty. E nosso planejamento foi mais orientado para a logística das hospedagens no meio do caminho que para alguma solenidade final. Por fim, cada um preferiu terminar sua viagem a seu modo, seja com cerveja, com praia, ou com jantar, o que acabou separando o grupo em pequenas turmas.

E o final de novela mais aguardado de todos os tempos: sim, o valente CTT chegou em Paraty conosco. Viajou muito a pé - ao menos uns duzentos quilômetros - e um pouco de carro, e sempre com uma cara de que o que importava era estar ali conosco, qualquer que fosse o meio de transporte. Cachorros normalmente não demonstram muita afeição por ciclistas. Quando passamos na porta de uma casa que tem cães soltos, é comum eles saírem correndo atrás da bicicleta, latindo ameaçadoramente. Teve ciclista que já até tomou mordida na canela. O CTT parece ter simpatizado conosco desde o primeiro momento em que nos viu, quando desembarcamos da balsa em Capela do Saco. Nunca fica mendigando carinho, mas se alguém lhe afaga espontaneamente, sua fisionomia é de plena satisfação. Preferiu sofrer dezenas de quilômetros no segundo dia a desistir, no meio do caminho, de nos acompanhar. Como vários de nós, sentiu dor muscular e teve uma baixa de resistência, quase adoecendo, mas se recuperou e foi até o fim.

No Fórum que temos na internet - o espaço de convivência ciclística virtual onde a maioria de nós se conheceu - especulou-se por que o CTT teria começado a seguir a gente. Uma hipótese é a de que ele é cachorro, mas sabe contar: “se seguir essa galera, vou ganhar muita comida”. Outra, que ele queria tentar a sorte na cidade grande e aproveitou a carona; acabou dando mais sorte ainda, porque antes de chegar já tinha virado estrela da internet. E uma terceira defendia que, como bom mineiro, ele queria conhecer o mar. O fato é que ele chegou a Paraty e lá foi resolvida a questão da sua adoção. O Tatuí e a Paula vão ficar com ele, colocando-o na companhia dos outros quatro cachorros que já têm. O CTT vai morar em Nova Lima, numa casa, e certamente vai nos acompanhar em várias trilhas daqui pra frente.

Teve gente reclamando do nome que demos para ele. De fato, um cachorro se chamar CTT é meio esquisito. O máximo que podemos fazer é escrever Cetetê, que não é lá tão diferente assim de Totó. Mas não dá para mudar, jogando por terra a espontaneidade com que o nome surgiu. BTT é mais que uma sigla, é uma expressão muito querida por nós, ciclistas. Embora seja quase um sinônimo de MTB (mountain bike), muita gente a pronuncia de boca cheia, quase explicitando que ela quer dizer mais que “montanha”: absolutamente Todo Terreno. Quem mais a gente sabe que usa o mesmo expediente, portugueses (BTT) e franceses (VTT, vélo tout-terrain), deve experimentar sensação parecida. Quando vimos que o cachorro ia mesmo nos fazer companhia, e começou a sugestão de nomes, estávamos passando por terrenos muito acidentados. O trocadilho com TT foi uma piada interna com força suficiente para batizar nosso novo amigo.

Para muitos, essa viagem foi, fisicamente, uma superação. Vários não se supunham capazes de fazer o que fizeram, principalmente porque o percurso foi mais duro e mais extenso que se imaginava. �? assombroso pegar um mapa e perceber que se cobriu uma distância enorme em uma semana usando apenas a força das próprias pernas. Mais espantoso ainda é chegar no alto de um morro e olhar para trás, vendo uma sucessão de serras, e imaginar que ainda ontem você estava naquela última lá atrás, agora apenas uma silhueta no horizonte. A energia que proporcionou isso saiu da quebra de alimentos dentro do nosso corpo, e é tão energia quanto aquela que vem das explosões dentro dos motores: pode ser expressa com as mesmas unidades de medida, e é igualmente transformada em energia mecânica. Não é pouca coisa: é suficiente para impulsionar uma massa de quase cem quilos, ciclista mais bicicleta, por centenas de quilômetros, subindo e descendo morro. Essa constatação deveria fazer com que não fosse surpreendente descobrir que nossos limites físicos e psicológicos estão bem mais distantes que imaginávamos. Mas passamos a vida tão amofinados dentro de uma zona de segurança cotidiana que, quando isso acontece, parece inacreditável.

Nós nos esforçamos para que essa viagem ganhasse bastante visibilidade. Procuramos mídia, escrevemos para muita gente, fizemos esse site e esse blog - que deram muito trabalho e, modéstia às favas, ficaram um primor -, adoramos aparecer na TV e n’O Tempo, etc. Claro que entra aí um pouco de vaidade, de querer mostrar que nosso projeto foi bem organizado e bem executado, que somos um grupo que tem bom gosto, que fotografa bem, que escreve bem, e que além de tudo pedala feito gente grande. Somos cientes e orgulhosos disso tudo. Mas quem a gente quer mesmo pôr sob o holofote é a bicicleta. Tem pouca coisa no mundo da qual se pode dizer com segurança que quanto mais, melhor. Produção, consumo, desenvolvimento, população, tecnologia, essas palavras ficam pouco à vontade nessa frase. Mas temos convicção de que, quanto mais gente pedalando, melhor. Não há nenhum invento que faça tanto com tão pouco, em termos de produção de deslocamento - uma das necessidades humanas mais elementares. Pode-se dizer, com razão, que andar a pé é uma forma de se deslocar tão saudável e não-poluente quanto a bicicleta. Mas, sem falar em como a paisagem muda rapidamente quando se está numa bicicleta, quem pedala experimenta uma apuradíssima sensibilidade a qualquer mudança na regularidade ou no piso do terreno, e tem o tempo todo que produzir micro-ajustes no seu corpo - na força que está fazendo, na respiração, na posição do corpo sobre a bike - para se adaptar a essas mudanças. Pedalar tem muito mais nuances que caminhar. Subir um morro inclinado sob um sol castigante muitas vezes nos faz perguntar se estar ali, sofrendo espontaneamente, é alguma espécie de tara. Mas olhar para trás ao fim da subida e ver que você acaba de pacientemente derrotar mais uma é algo que propociona uma saudável sensação de poder. Se depois disso ainda vem uma descida ensombreada no meio de uma mata, a percepção do suor da camisa se esfriando rapidamente e refrescando o corpo faz-nos abençoar a subida recente.

Não é à toa que crianças adoram bicicletas. Quando subimos em uma, voltamos a ser meninos. Afinal, um brinquedo cuja estabilidade vem da velocidade - tente ficar em cima de uma bicicleta parada - acaba abrindo um espaço para um pouco de inconseqüência, de aceitação do risco, de curiosidade de experimentar. É divertido perceber-se desenvolvendo habilidades de condução. É gratificante ver-se negociando com o terreno, evitando cascalhos e terra fofa, escolhendo a melhor linha a seguir dentro das inúmeras possibilidades na largura de uma estrada de terra, e fazendo isso melhor a cada dia de pedal.

Nossa intenção é que cada vez mais gente descubra esse prazer e pedale. Nas ruas, nas ciclovias, nas praças, nas estradinhas, nas rodovias e nas trilhas. Indo à padaria ou viajando. Não há comparação possível entre cobrir um percurso de bicicleta e fazê-lo de automóvel. De carro, não acontece nada além do deslocamento. Os trajetos são sempre iguais. De bicicleta, o mesmo caminho nunca é o mesmo.

Nada disso é, claro, novidade para nós, mas é absolutamente desconhecido para muita gente. Não pretendemos dizer que dá para qualquer um sair por aí fazendo o que fizemos - nem nós mesmos estávamos perfeitamente aptos a isso, tanto que alguns tiveram dias de viagem bem penosos. Mas dá para dizer com tranqüilidade que qualquer pessoa pode começar a percorrer trajetos curtos de bicicleta, e dali pular para programas gradativamente mais ousados. A evolução é muito rápida e é extremamente prazerosa.

E quem fez essa cicloviagem sabe, agora ainda mais, que esse é um entusiasmo que não tem volta.

Chegamos

24/07/06

Ei, pessoal,

Em primeiro lugar, obrigado (em nome de todos os cicloviajantes) pelo apoio, torcida e companhia virtual durante essa viagem. Como vocês e seus respectivos cotovelos devem imaginar, a viagem foi FANTÁSTICA! Provavelmente a viagem mais bacana que eu já fiz em toda a minha vida.

Chegamos hoje, segunda, em torno de seis horas da manhã. Cheguei em casa uns 10 minutos depois e só agora terminei de ler os posts e os comentários do blog. Daqui a pouco vou tomar café da manhã e dormir um bocado (o ônibus era meio desconfortável para os meus 1,86 de altura).

No mais, aguardo tão ansioso quanto vocês a sessão de exposição de fotos para contar os “causos” bacanas e rir das excelentes lembranças que vão me acompanhar por toda a vida.

Post enviado por Renato Mangini, em Belo Horizonte.